A DISORTOGRAFIA E DISGRAFIA: TRANSTORNO DO ATO DE ESCREVER

A escrita não é uma tarefa fácil, pois aquele que aprende precisa, necessariamente, conectar o som que é ouvido à letra que deve ser escrita. No entanto, não há relação única letra-som, visto que um som pode ser representado na escrita por mais de uma letra, como por exemplo, o som /š/ pode ser representado pelo x na palavra xícara ou pelo dígrafo ch na palavra chave.

Durante o aprendizado das correlações letra-som, passamos por uma série de dificuldades, dentre elas a distinção de sons surdos e sonoros. Um som é considerado surdo quando, para sua emissão, não há vibração das pregas vocais (conhecido popularmente por cordas vocais), são eles: /p/ (pipa), /t/ (teto), /k/ (casa), /š/ (chuva), /s/ (sim).

E um som é considerado sonoro quando as pregas vocais vibram para que o som seja produzido, são eles: /b/ (bola), /d/ (dia), /g/ (galo), /ž/ (giz) /z/ (zebra). Tal distinção pode ser considerada algo bastante difícil para quem aprende e, assim, provocar erros durante a escrita. Nesses casos, dizemos que o aprendiz apresenta Disortografia.

A Disortografia é uma dificuldade de aprendizagem caracterizada por a escrita apresentar as seguintes características:
· Troca de letras similares em sua sonoridade: faca/vaca, dia/tia, pata/bata;
· Confusão na escrita de sons parecidos: cortarão/cortaram;
· Adição de sílabas: telelevisão;
· Omissões de letras: tesora/tesoura;
· Separação indevida de sílabas: a gora/agora;
· Inversão de letras: mánica/máquina; e
· Junção indevida de palavras: Vou comvocê

Os erros encontrados na escrita de crianças com Disortografia não acontecem na leitura e tais dificuldades podem ser contornadas com acompanhamento adequado. Nesses casos, é importante salientar que não se deve reprimir a criança, mas auxiliá-la de modo positivo e, além disso, não exigir que a criança escreva diversas vezes a mesma palavra, pois isso não adianta, visto que se trata de uma dificuldade da linguagem.

Outro ato considerado difícil é a coordenação motora fina necessária à escrita, ou seja, o conhecimento da forma de cada letra, e que é automatizada por volta do 2º ano (antiga 1ª série) do Ensino Fundamental. Uma escrita que permanece com traçado da letra irregular após esse período é denominada de Disgrafia.

A Disgrafia, também chamada de letra feia, é uma alteração relacionada a problemas perceptivo-motores. Tal alteração ocorre por um conjunto das seguintes características:
· Lentidão na escrita;
· Letra ilegível por escrevê-las desorganizadamente: letras retocadas, hastes mal feitas, atrofiadas, omissão de letras, palavras, números, formas distorcidas, movimentos contrários à escrita (um S ao invés do 5, por exemplo);
· Traços irregulares: ou muito fortes que chegam a marcar o papel ou muito leves;
· Desorganização geral na folha por não possuir orientação espacial;
· Desorganização do texto, pois não observam a margem parando muito antes ou ultrapassando. Quando este último acontece, tende a amontoar letras na borda da folha;
· Desorganização das formas: tamanho muito pequeno ou muito grande, escrita alongada ou comprida;
· O espaço que dá entre as linhas, palavras e letras são irregulares; e
· Liga as letras de forma inadequada e com espaçamento irregular.

As crianças que apresentam Disgrafia devem ser estimuladas positivamente, reforçando seus acertos, além de precisarem de estimulação lingüística e psicomotora globais.

Dúvidas para: fgafernanda@gmail.com

FERNANDA FERREIRA – CRFa 11161
Bacharel em Fonoaudiologia pela UFRJ, Pós-graduada em Psicomotricidade pela UCAM, Mestre em Psicologia pela UFRJ.
Telefone: 8152-9333 / 7852-0977

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