CENTRO DO RIO DE JANEIRO.

O centro do Rio sempre foi palco de importantes acontecimentos da vida do povo carioca. Pedaços da história da cidade podem ser encontrados por entre os velhos sobrados e grandes edifícios, onde passado e presente se abraçam. Quem costuma passar pelo centro do Rio de janeiro, durante a semana, sabe como é louco o corre-corre apressado de quem precisa voltar para o trabalho, fazer compras ou pagar uma conta no banco. É raro alguém olhar para cima e prestar atenção nos detalhes das janelas de um casarão antigo ou nos pedaços de azulejos portugueses que teimam em aparecer em alguma parte de um sobrado antigo.

Mas quem já andou pelo centro do Rio, num domingo, quando as ruas estão vazias e o comércio fechado, pode ter reparado na riqueza de detalhes das fachadas, com desenhos inusitados das grades de ferro das sacadas, nas platimbandas (espécie de mureta de alvenaria) com relevos ou inscrições, nas colunas e pilastras sem nenhuma função, apenas como decoração. Muitas colunas de pedra de cantaria foram, mais tarde, pintadas e descaracterizadas, mas já há projetos de recuperação da arquitetura (como o Corredor Cultural) em diversas áreas do centro.

Já dei muitos esbarrões e tropeções caminhando por essas ruelas do centro, especialmente a área da Saara. Ficava absorta olhando para cima e vendo os formatos diferentes das portas e janelas, ora arredondadas, ora retas, criando um interessante ritmo de linhas e formas. As fachadas dos casarios antigos (são basicamente do século XIX e início do século XX), misturam diversos estilos arquitetônicos e nos transportam ao passado contando a história de uma época. É o registro dos hábitos, do modo de vida, dos gostos e das influências artísticas dos morados desta região.

Foi inspirada por esta atmosfera nostálgica que fiz uma releitura dos desenhos das fachadas, me expressando através da aquarela que já é uma técnica com uma carga poética. É um convite a um olhar mais atento à beleza das linhas e cores do Rio Antigo. As aquarelas são uma contribuição na preservação da história e do espírito poético da arquitetura desse povo do centro do Rio no século XIX e início do século XX.

Ivana Grehs
Profª de História da Arte / Mestre / Designer

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